sexta-feira, 31 de outubro de 2014

VERGONHA NACIONAL


Sem opções, alunos recebem mistura de café com farinha como merenda.
Prefeitura diz que faltam documentos exigidos por lei para liberar recursos.
Algumas creches que fazem parte da rede municipal de ensino de São Luís continuam sem receber os recursos que deveriam ser repassados pela prefeitura.
Há situações de professores estão há 10 meses sem receber salários e crianças quase sem comida porque o dinheiro do governo federal que deveria ser usado para a educação em creches comunitárias está parado.
A prefeitura diz que faltam documentos exigidos por lei para que o dinheiro seja liberado, mas os diretores dizem que já apresentaram toda a documentação. No meio do impasse, quem perde é a educação.
A mistura servida para as crianças é café com farinha. Engana a fome, diz o diretor da creche que ainda não recebeu o dinheiro que veio do governo federal e deveria ter sido repassado pela prefeitura.
Na creche da União dos Moradores da Vila Jambeiro, já falta de tudo. Os oito professores trabalham sem receber um centavo desde o começo do ano. Têm trabalhado de graça para não deixar na mão, as 160 crianças que já sofrem com a falta de estrutura do local que mal tem espaço pra todos.
“Elas [as crianças] sofrem demais. Quando chegam pela manhã eles perguntam o que é a merenda de hoje? Dói que a gente até chora”, disse Eusébio Coimbra, diretor da creche.
Uma reforma até foi inciada na creche. Nos fundos, seriam construídos novos banheiros e um pátio com o piso adequado. Mas, sem dinheiro, a obra foi paralisada. As crianças continuam a ter que passar todo o recreio em um quintal de chão batido.
O lugar recebeu de um projeto do governo federal  um laboratório de informática, mas também não tem dinheiro para pagar professores e ensinar as crianças a mexer nas máquinas.
Esta é apenas mais uma das 157 creches comunitárias que esse ano solicitaram recursos do Fundo Nacional de Desenvolvimento para a Educação Básica (Fundeb), dinheiro federal que é repassado para que a prefeitura distribua. Mas apenas 43 instituições receberam.
Documentação
A Prefeitura de São Luís diz que as outras não apresentaram a documentação exigida por lei. Mas em uma creche do bairro Olho d’Água, a direção diz que já apresentou todos os documentos pedidos e nem sinal dos recursos. A situação prejudica 140 crianças, que dependem de doações para se alimentar.
“Aqui hoje tem frango, que também foi doação da igreja. E essa doação já até acabou. Não está vindo mais estes dias. Nós estamos preocupados. O lanche foi arroz branco e frango”, disse uma das funcionárias.
A história se repete no Anjo da Guarda. Sem o dinheiro do Fundeb, 19 professores trabalham sem receber, mas ainda não sabem até quando. “Na verdade a gente está trabalhando mais por amor à profissão, porque o salário mesmo já está há 10 meses sem sair. Muitas das vezes volto a pé para casa, porque não tenho como pagar passagem. É uma situação muito complicada, porque também tenho o sustento de minha família”, reclamou a professora Cleonice Torres.
Ninguém da Prefeitura de São Luís quis gravar entrevista sobre o problema. Em nota, a Secretaria de Educação (Semed) informou que montou uma força-tarefa para agilizar o processo de liberação do dinheiro.
Enquanto isso, a mistura feita de farinha e café deve continuar fazendo parte do cardápio nessas escolas. “Hoje o que as escolas comunitárias fazem tem um papel fundamental. É o alicerce da vida e que não pode parar. Não pode parar”, lamentou a presidente da Federação da União de Moradores, Aldeci Ribeiro.

G1.

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