quinta-feira, 20 de março de 2014

INSEGURANÇA

Pais, alunos e professores pedem segurança

A insegurança sofrida por alunos e servidores da Escola Estadual Luiz Rittler de Lucena, no bairro Nova Cidade, zona Oeste, gerou mobilização durante a manhã de ontem, na frente da instituição. Com cartazes na mão, alunos pediam melhorias na escola e mais presença da Polícia Militar para conter a onda de violência dentro e fora do colégio.
No local estudam mais de 2.087 alunos divididos no ensino fundamental, médio e Educação de Jovens e Adultos (EJA) em mais de 30 turmas.  “Estamos reivindicando exatamente sobre a violência dentro da escola. É aluno ameaçando professor, ameaçando colegas e funcionários”, declarou a professora de Língua Portuguesa Sônia Rodrigues. Um servidor foi ameaçado de morte por alunos. Os pais tomaram ciência dos fatos em reunião ocorrida na semana passada. “Somos educadores e não custa nada começar esses trabalhos de conscientizar alunos e quando ele deixa de fazer ocasiona esse caos”.
Sônia falou da grande incidência de violência e da falta de policiamento no local. “Entramos e saímos, mas não vemos nenhum policial. Como professor não pode revistar os alunos, porque a lei não permite, com isso ficamos a mercê dos alunos”, destacou. Ela relatou que um colega de profissão encontrou com um aluno um facão e uma faca dentro da mochila. O muro serve como esconderijo de armas e bebidas. “No ano passado um aluno esfaqueou o colega na frente da professora”, relatou.

ESTRUTURA - Com a meta de sensibilizar as famílias de alunos, a manifestação revelou a estrutura precária dentro da instituição, como banheiros deteriorados, grades soltas e falta de servidores de apoio, como assistentes de aluno e funcionários para serviços gerais.
Uma servidora, que preferiu não se identificar, informou que apenas quatro servidores fazem o trabalho de limpeza dos pavilhões, acarretando sobrecarga e indignação. Outro ponto de discussão é quanto à ausência de ventiladores e a inutilização das centrais de ar, instaladas nas salas de aula.
O momento envolveu representantes da comunidade. O presidente da Associação dos Moradores do Bairro Nova Cidade, Natal Altamir, participou do ato público. “Como pai de aluno, peço para que o Governo do Estado possa atender aos pedidos da gestão”, disse ao citar as dificuldades enfrentadas diariamente pelos estudantes, como as aulas no calor e a falta de funcionários para auxiliar os professores. “Foi feita uma reforma de R$1,5 milhão, mas até mesmo os alunos falam que não viram nada, que foi como uma brincadeira, pois as grades estão caindo na cabeça dos alunos. Falta professor no período da tarde”.
“Sou mãe de aluna do 8º ano e não acho justo a maior escola do Estado não ter qualidade”, criticou a técnica em enfermagem Suelen Nascimento sobre as condições estruturais da escola. Ela afirmou que não acha justo não oferecer aos discentes a estrutura adequada para estudar e nem merenda adequada para os alunos.

SEINF - Relacionado à obra, em nota, a Secretaria de Infraestrutura (Seinf) informou que a reforma foi concluída em 2012 e que todos os serviços previstos no projeto básico foram feitos, não havendo registro de quaisquer reclamações na época.
Porém, diante dos questionamentos dos alunos e dos funcionários da unidade educativa, o Departamento Estadual de Engenharia e Obras (DEO) informou que enviará equipe para verificar se os problemas apontados são resultantes de deficiências na realização dos serviços. “Se isso for comprovado, a empresa será notificada para corrigir eventuais falhas cometidas durante a execução da obra”, afirmou.  

SEGURANÇA – O subcomandante da Polícia Militar de Roraima (PMRR), Amaro Júnior, destacou as várias ocorrências atendidas na localidade e que, na semana passada, viaturas foram deslocadas para atender problemas com galeras. Segundo ele, houve uma convocação da Secretaria Estadual de Educação e Desportos (Seed) junto à PM para articular estratégias visando atender as unidades escolares. A reunião não tem data marcada para acontecer.
“Vamos discutir sobre a situação não só na Rittler de Lucena, mas também em outras escolas”, comentou Júnior. O subcomandante explicou que não há mais a Patrulha Escolar, mas há um projeto para implantação ainda esse semestre da Companhia Independente de Polícia Comunitária. “Já disponibilizamos viaturas e motocicletas”, comentou. Afirmou ainda que a ideia é aproximar a PM das escolas e comunidade coibindo ações de galerosos.

SEED – A Secretaria Estadual de Educação, em nota, esclareceu que o prédio da escola passou por reforma e os banheiros foram contemplados com a substituição da parte hidráulica e peças, como sanitários e pias. Diante da reclamação da comunidade escolar, a Seed informou que acionará a Seinf e que, se for constatada má execução do serviço de reforma, a empresa responsável será notificada a fazer os reparos.
Quanto às centrais de ar, informou que a instalação depende do redimensionamento da rede elétrica da unidade escolar. “A Seed está providenciando processo complementar para atender tal demanda”, frisou.
A nota diz ainda que já foi feita licitação para contratação de empresa que prestará serviço de apoio nas escolas da rede estadual. “O processo está tramitando e tão logo haja liberação para contratação, o problema será sanado”, afirmou ressaltando que material de limpeza é de responsabilidade da empresa contratada para a prestação do serviço, entretanto, afirmou que vai apurar a reclamação da comunidade escolar.
Sobre a qualidade da alimentação escolar, a Seed esclareceu que a alimentação é a mesma oferecida nas demais escolas da rede estadual da Capital e que não há reclamação recente acerca do assunto. “O setor responsável será acionado para averiguar a situação”, encerra a nota.  (Y.G)

YASMIN GUEDES

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