terça-feira, 5 de novembro de 2013

TRANSPORTE ESCOLAR SEM SEGURANÇA




Teresina (PI) - No povoado rural Parque da Vitória, no interior do Piauí, alunos a partir dos três anos aguardam debaixo de chuva ou de sol o ônibus que os leva até a Escola Municipal Lídia Ribeiro. Algumas vezes, o transporte escolar não aparece.
- Há duas semanas, fiquei no sol quente esperando o ônibus, ele não veio e eu perdi duas provas. Agora, tenho que ir atrás das professoras para pedir uma nova oportunidade - conta Steffany Luciana, de 12 anos. -Muitas vezes, o ônibus quebra ou não vem pegar a gente e sequer avisam.
Mãe de aluna, Ana Lúcia Oliveira lembra que precisou pagar R$ 5 a um mototáxi para que a filha pudesse voltar para casa:
- O ônibus não trouxe a minha filha da escola e é muito perigoso uma menina ficar andando no escuro depois que as aulas acabam.
Ônibus com volante improvisado
Em vários municípios do Piauí, as crianças costumam viajar em ônibus escolares que têm volantes improvisados, pneus soltos no interior e extintores de incêndio que não funcionam. Há um mês, um ônibus da prefeitura de Demerval Lobão caiu de uma ponte. Sete alunos ficaram feridos e a perícia apontou que o veículo trafegava em alta velocidade e apresentou problema por falta de manutenção. Além disso, não contava com tacômetro e o extintor de incêndio estava vazio.
Em maio, agentes da Polícia Rodoviária Federal apreenderam um ônibus escolar da prefeitura de Luís Correia, no litoral do estado, transportando 23 estudantes sem que o motorista tivesse carteira de habilitação.
No povoado Brejo, em Nazária, a pequena Naiara Alves dos Santos, de 3 anos, precisa se segurar para não cair da cadeira do ônibus escolar, que circula desde 1990 e a leva de volta para casa na zona rural de Tambaqui.
- Dói - diz a menina, que viaja sem cinto de segurança.
- A cadeira às vezes fica solta - reclama Teodora Rodrigues, de 5 anos.
De acordo com a coordenadora de Educação de Nazária, Graça Bandeira, a prefeitura paga R$ 100 mil por mês pelos 16 ônibus, mas o Ministério da Educação (MEC) só repassa R$ 25 mil:
- Não temos condições financeiras de comprar ônibus escolares. Por isso, nós fretamos ônibus tradicionais para pegar e deixar os alunos em suas casas.
Policial do Batalhão da Polícia Rodoviária Estadual (PRE) do Piauí, José Iromar da Costa lembra que o Conselho Nacional de Trânsito exige cadeirinha, elevação e conforto para o transporte de crianças de até sete anos e seis meses de idade em automóveis, mas não faz essa exigência para ônibus escolares:
- A resolução é omissa em relação a isso. Acho que ninguém pensou que as crianças pequenas são transportadas sozinhas em um ônibus escolar.
A exigência de cinto de segurança "em número igual à lotação", no entanto, está prevista no artigo 136 do Código de Trânsito Brasileiro.
FONTE YAHOO


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