POR ODILON RIOS 
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onsiderada a capital mais violenta do Brasil, segundo dados do último Mapa da Violência (mês de julho), Maceió está trocando a construção de duas escolas por ano para reforçar a segurança das atuais instituições, evitando que elas sejam arrombadas, depredadas ou assaltadas. Só esta semana, duas escolas registraram furtos.

Pelos dados de outro mapa, o das escolas de Maceió", até o final do ano serão gastos R$ 3 milhões com uma empresa privada de vigilância e câmeras. Isso equivaleria à construção de duas escolas. Mas, de acordo com a secretária Municipal de Educação da capital e ex-reitora da Universidade Federal de Alagoas (Ufal), Ana Dayse Dórea, este orçamento deve crescer para R$ 4,5 milhões. "São três creches que deixarão de ser erguidas por causa da segurança".
A estimativa da secretaria é que 50 mil crianças estão fora das salas de aula. Alagoas é líder nacional em analfabetismo, evasão escolar e distorção idade-série.
E pelo "Mapa da Violência das Escolas", a instituição mais perigosa de todas é a que leva o nome do avô do prefeito de Maceió, Rui Palmeira (PSDB). A escola Rui Palmeira fica no bairro do Vergel do Lago. No entorno, alunos e professores viram alvos de traficantes, assaltantes e em alguns lugares deste bairro há regiões proibidas para a polícia a ainda se cobra pedágio.
Outra escola considerada perigosa leva o nome do herói da resistência negra na America Latina: Zumbi dos Palmares. A escola fica no bairro do Clima Bom.
"Vale lembrar que é o entorno destas escolas que apresentam estes perigos", explica Ana Dayse.
A gestão atual da Prefeitura assumiu em janeiro. A proposta do prefeito é reformar todas as 135 escolas da rede. Ainda assim, será pouco. Há um déficit de 50 escolas (a capital deveria ter 185 funcionando).
Enquanto isso, o Mapa da Violência do Centro Brasileiro de Estudos Latino-Americano (Cebela) mostra que  Maceió é a capital mais violenta do país, seguida por João Pessoa e Salvador. A capital registrou um aumento de 116,1% no número de homicídios. Em 2001, foram registrados 485 assassinatos contra 1.048 em 2011.
Alagoas registrou um crescimento de 171,1% no número total de assassinatos entre os anos de 2001 e 2011, bem acima da média anual, que foi de 146% no mesmo período. Esses números fizeram o Estado saltar da 12ª para a 1ª colocação no ranking de estados mais violentos do Brasil, com 72,2 homicídios por 100 mil habitantes.